FORTALEZA : GESTÃO URBANA E ESPAÇO PÚBLICO
A gestão urbana democrática deve pautar-se antes de qualquer coisa pelo reconhecimento das diversas lógicas de experimentar a cidade postas em prática pelos diversos atores no cotidiano, além é claro de publicizar os vários interesses em disputa no espaço urbano, muitas vezes materializados no chamado uso e ocupação do solo urbano. Opondo-se a uma gestão dita tecnocrática, que reduz a pluralidade de usos e significados da cidade à racionalidade técnica, a gestão progressista objetiva devolver a cidade a seus citadinos através da produção ou reconquista de espaços públicos.
O que em alguns casos pode parecer à primeira vista solução para eliminar problemas gerados pelo crescimento urbano, como a segregação social, pode em outros produzir o efeito contrário, ou seja, ao se eleger certos sujeitos ou áreas da cidade como focos de desorganização urbana acaba-se por justificar intervenções disciplinadoras e políticas de controle social. Assim têm se caracterizado as medidas adotadas pela Prefeitura de Fortaleza em bares, praças, ruas, praias, calçadas, parques e outros espaços espalhados pela cidade, onde a diversidade de usos e a heterogeneidade social ainda dão um colorido público a esses lugares apesar da proliferação cada vez maior em Fortaleza de ambientes fechados (clubes, condomínios, barracas de praia etc) destinados aos setores de maior poder aquisitivo.
Conceber o espaço público apenas como sinônimo de espaço urbano aberto, como quer a atual gestão municipal, ainda que seja requisito indispensável para a existência do primeiro, diga-se de passagem, é apenas tocar numa questão de um fenômeno muito mais complexo. Se hoje as esferas do público (lugar da diversidade e do encontro com o outro) e do privado (lugar da intimidade) estão cada vez mais indissociadas é porque as fronteiras que as definiam são hoje mais fluídas e transitórias. Esses novos arranjos dizem respeito diretamente ao deslocamento dos referenciais de identidade – pessoal e coletiva – na sociedade contemporânea, onde a cidade aparece como palco privilegiado para disputas e demarcação de lugares sociais.
Ao se reduzir, portanto, a política de identidade que se passa na cidade à formalidade das legislações urbanísticas, que define o “uso público” e o “uso privado”, a “cidade legal” e a “cidade ilegal”, sempre segundo a lógica do planejamento urbano, corre-se o risco de esvaziar o sentido público conferido a certos espaços da cidade pelos diversos atores sociais. O que dizer, por exemplo, de cavaletes, grades ou de outras barreiras físicas que limitam o acesso de transeuntes a ruas ou a outros lugares da cidade? O que sugere a presença de varais de roupa pendurados por entre postes ou até mesmo de cadeiras e mesas de bares em algumas praças de Fortaleza?
Talvez o que Antonio Arantes denomina de “guerra de lugares” possa ser aplicado para entendermos as transformações do espaço público na cidade de Fortaleza. Menos estáveis e mais porosas, as identidades urbanas contemporâneas articulam o público e o privado de tal modo que possam tirar o maior proveito possível das vantagens econômicas e simbólicas que a apropriação política do espaço urbano possibilita, como a capacidade de isolar, separar, demarcar estilos, gostos, grupos e regras de acesso a determinados lugares da cidade.
Nesse sentido, é louvável, por um lado, o esforço da atual gestão municipal por assumir as conseqüências políticas de buscar interferir na produção do espaço público de Fortaleza, ao optar por uma gestão compartilhada e de promoção da participação, mas, por outro lado, arrisca-se perder de vista a dinâmica empírica urbana que não se deixa apanhar por medidas legais e de controle, pois obedece a lógicas plurais de construção da identidade e da diferença.
Por Wellington Ricardo Nogueira Maciel. Doutorando em sociologia pela Universidade Federal do Ceará.
Escrito por acuma às 21h38
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DEVIDO HÁ ALGUNS PROBLEMAS O BLOG NÃO TEVE
ATUALIZAÇÕES NOS ÚLTIMOS MESES DE MAIO E COMEÇO DE JUNHO.
NOVOS ESPAÇOS ESTÃO SENDO CRIADOS, COMO UM SITE QUE
DISPONIBILIZARÁ A QUALQUER PESSOA INSERIR TEXTOS SEM
QUALQUER TIPO DE EXIGÊNCIA.
AGUARDEM...
Escrito por acuma às 21h17
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1 ANO DE INFORMATIVO
Comemoramos no último mês de maio um ano de publicação do Informativo Na Contra Mão.
Queremos aqui agradecer a todos e a todas que nos acompanharam durante estes doze meses, em especial a juventude do bairro da Serrinha, que vem recebendo este trabalho de forma crítica e participativa. Graças à ampliação do Informativo em março deste ano, estamos podendo ainda mais dar conta, na medida do possível, dos acontecimentos socioculturais e políticos da nossa comunidade, que vem em meio a conquistas e desafios se mostrando um bairro em constante movimento. Não podemos deixar de parabenizar os diversos movimentos sociais da nossa comunidade que, ao longo dos anos, criaram uma variedade de Informativos locais e mesmo, muitos destes, tendo vida curta, nem por isso deixaram de contribuir para que tomássemos conhecimento de importantes momentos ocorridos na Serrinha. Desta forma continuaremos esta luta em torno de um veículo de informação em nosso bairro, estimulando espaços de debates e impulsionando a participação popular como forma de ação.
Queremos ainda convidar a todos e a todas a participarem do espaço CONTRA E A FAVOR (um espaço de debate no informativo), que estará debatendo o papel das organizações comunitárias do bairro da Serrinha trazendo a seguinte pergunta: Qual a sua opinião sobre a atuação das associações comunitárias da nossa comunidade? Participe enviando sua opinião por e-mail ou entregando em nosso endereço residencial que encontra-se na última página do Informativo.
Os textos à seguir são alguns dos que constam na edição do mês de maio do jornal.
Ação cultural na contra mão.
Escrito por acuma às 21h05
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Mel e Fel
Ednaldo Evangelista da Cunha, vulgo Mel, de 22 anos, teve o desprazer de provar, no dia 28 de março, do amargo e mortífero fruto que é conseqüência para quem escolhe, empurrado pelas circunstâncias, o caminho contrário dos “bons costumes;’.
Mel não era bom moço, era até carrasco, porém, também vítima duma sociedade excludente alicerçada na produção de mercadorias e no lucro. Mel era mais um desses santos que nascem todos os dias nas periferias da cidade. “Santos” porque passam, na infância, por martírios semelhantes aos que os beatificados passam antes de atingir tal status.
Por coincidência do destino Mel era evangelista no nome, foi morto no mês dedicado ao Santo Padroeiro do Ceará, símbolo da esperança do sertanejo, e o local escolhido pelo “destino” para tal desfecho também foi irônico: Canindé, a terra que adotou como seu o santo mais popular do mundo.
Todos os dias nascem Mels na periferia. São aparentemente puros e dóceis, choram como todas as criançinhas e sentem falta de suas mamães e se consolam com afagos e gestos de carinho, porém, quando crescem, algum desses Mels vão se tornando fel, vítimas de todas as mazelas sociais e aí então vão exigir seu espaço da forma mais inescrupulosa possível.
Com um coração amargo e repleto de insensibilidade vão fazer sofrer e destruir famílias inteiras indiscriminadamente.
Mel, que teve seus sonhos destruídos pela exclusão, também destruiu sonhos de pessoas que viram na instituição policial um meio para ganhar a vida se expondo assim a todos os riscos que a profissão oferece. Mel deixou pais e filhos a espera de alguém que nunca voltou. Também se confrontou com outros Mels que, dotados de um caráter tão deformado e alheio a valores, já amargavam como fel.
E então,a sociedade que planta fel colhe mel?
Roche dos Anjos
Escrito por acuma às 20h58
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BENTO XVI
O Papa Bento XVI visitou há alguns dias o maior país em quantidade de católicos do mundo, o Brasil. Tomara que não tenha vindo com a intenção de “purificar” nossos últimos índios como tentaram seus amigos de um passado distante. Desde sua posse em 19 de abril de 2005, Joseph Alois Ratzinger, que é o nome de batismo de Bento XVI, demonstra uma visão conservadora e por que não dizer preconceituosa em relação a outros setores da sociedade civil. Ratzinger foi e é um dos mais poderosos integrantes da Cúria Romana. Ele era um velho amigo de João Paulo II e compartilhava das posições ortodoxas do mesmo, como por exemplo o voto de silêncio que impôs ao ex-frade Leonardo Boff, brasileiro, um dos expoentes da Teologia da Libertação, em 1985 devido às suas posições políticas marxistas. Estranha-me o principal líder da igreja cristã mais popular do mundo ter certas tendências mais compatíveis com alguns ditadores facistas do século XX. Não que ele seja o único Papa da história defensor dessa linha de pensamento, mas creio que isso possa ser explicado pela adesão do mesmo em 1943, quando tinha dezesseis anos, ao Exército Nazista pouco depois de suas participações em reuniões da Juventude Hitlerista. O conclave (reunião de bispos que definem quem será o novo Papa) que o nomeou como novo pontífice foi um dos mais rápidos da história, tendo apenas quatro votações e duração de apenas 22 horas. Sua eleição foi como falam alguns uma “barbada”, pois não podemos esquecer que ele é alemão e que seu país de origem é o que mais doa dinheiro para os cofres do “abençoado” Vaticano. Outro fator é que esse mesmo país está perdendo de forma muito rápida seus católicos. Últimas pesquisas contam que apenas um terço da população alemã se diz católica, isso quer dizer que o vaticano anda perdendo dinheiro, quero dizer fiéis, com essa diminuição gradual de católicos. Um dos últimos documentos redigidos por Bento XVI ratifica normas rígidas e conservadoras dirigidas aos católicos de todo o mundo, tais como: a proibição do uso de métodos contraceptivos artificiais, a firme negação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, contrariedade ao aborto, rejeição ao uso de células tronco em pesquisas cintíficas e defende a necessidade da moralidade sexual. Em setembro de 2006 em visita a uma universidade na Alemanha, Bento XVI disse: “Mostrai-me o que Maomé trouxe de novo, e ali encontrarás somente coisas cruéis e desumanas, como a ordem para espalhar a fé pela espada, que pregou”. Líderes muçulmanos de todo o mundo cobraram desculpas e ameaçaram chamar seus embaixadores do Vaticano, advertindo que as palavras do Papa reforçam perigosamente uma visão falsa e deturpada do Islã. Para muitos muçulmanos, a guerra santa - Jihad - é uma luta espiritual e não um apelo à violência, onde denunciam sua perversão por extremistas, que usam a Jihad para justificar o assassinato e o terrorismo. Alguns bonecos do Papa foram queimados pelo mundo, mais ou menos como acontece com Judas na época da Páscoa (será que não é ele?). Numa visita feita à Turquia no final do ano de 2006, Bento XVI viu-se em “maus lençóis”. Em 2004, o ainda cardeal Ratzinger afirmou que a Turquia (que tem como religião predominante à mulçumana) sempre representou outro continente, no sentido religioso, por isso não fazia sentido a idéia de sua integração à União Européia, pois poderia abalar a “pureza” cristã da mesma. Nesta visita Bento XVI realizou uma das menores missas da história papal, onde, mais ou menos trezentas testemunhas assistiram a celebração ecumênica realizada sobre protestos de vários grupos contrários a estada dele naquele local. A CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) está vendendo uma medalhinha padronizada pelo Vaticano com a imagem de Vossa Santidade, para “celebrar” a visita que ele fará ao nosso país no mês de maio. Se você comprar, por favor, me avise, pois quero saber o que tem do outro lado da moeda nessas visitas do Papa. Além de outros questionamentos que precisam ser feitos sobre a legitimidade das leis que a igreja de São Pedro tenta impor aos fiéis que a seguem, proponho uma breve reflexão sobre as atitudes e idéias dos seus líderes supremos, os Papas. Não quero aqui julgar o direito que as pessoas têm de crerem no que anseiam, nem tão pouco, alienar a teoria da não existência de um ser supremo, apenas espero, que esse texto provoque questionamentos e dúvidas a respeito das idéias pontifícias.
Carlos Eduardo
Escrito por acuma às 20h55
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Nossos Clássicos
Não existe esse negócio de ficar em cima do muro. Ou tu torces pelo The Cats ou pelo Muvuca. Os desavisados que estão bebendo no Bar do Esquerdinha correm o risco de levar uma bolada se não ficarem atentos. Os desavisados que vão dar uma olhadinha no jogo estão sujeitos a receber um saco de areia na cabeça de ambas as torcidas, se ficarem no meio delas. A melhor coisa a se fazer é procurar um dos poucos lugares protegidos e acompanhar com atenção ou tensão um dos mais belos momentos produzidos pelos moradores do bairro da Serrinha: The Cats vs Muvuca no campo de areia da Praça da Cruz Grande. São doze artistas da bola em palco. Cinco na linha e um no gol para cada lado fazem do campo o espaço onde se derrama muito suor (ou sangue, se for o caso) ao som de muito batuque. Um batuque ritmado, traduzido nas irreverências do funk brasileiro e cantado por multidões de crianças e jovens torcedores, que pulam e dançam a cada bela jogada do seu time de coração. As provocações, palavrões ao time adversário aumentam o tom de rivalidade entre as jovens torcidas. E os artilheiros, quando fazem seus gols, misturam-se à massa e comemoram como um fiel torcedor de seu próprio time, afinal, diferente do futebol profissional, não há mercenários. As motivações para entrar em campo não se resumem aos milionários salários, mas ao prazer de fazer um golaço, de roubar a bola do atacante, de defender aquele chute lá no V, de ouvir o coro da torcida berrando o seu nome, de entrar em campo de mãos dadas, de expor o seu bandeirão, de fazer suas preces no meio do campo para todo mundo ouvir e saber que participar daquele clássico tem o significado de comemorar a vida através da bola. Os jogadores ou ídolos daquelas crianças também são trabalhadores, estudantes, pais de família, ou seja, moradores comuns que as inspiram tanto quanto Aleluia, Rinaldo ou Clodoaldo. Lembro que na minha infância o goleiro do Palmerinhas, da Serrinha, chamado Edgar, influenciava-me tanto quanto o Zetti, do São Paulo ou o Gato Fernandez do Palmeiras paulista. Aliás, Palmeirinhas e Fortalezinha da Rampa foram personagem de um dos clássicos mais empolgantes da Praça na década de 90.Temos também outros palcos esportivos, como o campo do Omega, campo do Serrinha, sem esquecer do finado Campo do Curitiba. Jogadores, torcidas e campos demonstram o quanto nós criamos as nossas experiências locais sem esperar pelos governos. A organização desses eventos esportivos, dos times e das torcidas é de fundamental importância para a existência da vida em comunidade (bem melhor do que ficar em casa assistindo novelas) e mostra um lado da periferia que não é veiculado pela televisão: o da criatividade, seja com a bola nos pés ou com a arte de resistir às desigualdades sócio-raciais a que nosso bairro está submetido.
Um salve para todos os jogadores e torcidas da Serrinha.
Bruno
Escrito por acuma às 20h48
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“Eu, etiqueta” Carlos Drummond de Andrade
Em minha calça está grudada um nome que não é meu de batismo ou de cartório, Um nome... estranho. Meu blusão traz lembrete de bebida que jamais pus na boca, nesta vida. Em minha camiseta, a marca de cigarro que não fumo, até hoje não fumei. Minhas meias falam de produto Que nunca experimentei Mas são comunicados a meus pés. Meu tênis é proclama colorido De alguma coisa não provada Por este provador de longa idade. Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, Minha gravata e cinto e escova e pente, Meu copo, minha xícara, Minha toalha de banho e sabonete, meu isso, meu aquilo, desde a cabeça ao bico dos sapatos, são mensagens, letra falantes, gritos visuais, ordens de uso, abuso, reincidência, costume, hábito, premência, indispensabilidade, e fazem de mim homem-anúncio itinerante, escravo da matéria anunciada. Estou, estou na moda. É doce estar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade, trocá-la por mil, açambarcando todas as marcas registradas, todos os logotipos do mercado. Com que inocência demito-me de ser eu que antes era e me sabia tão diverso de outros, tão mim-mesmo, ser pensante, sentinte e solidário com outros seres diverso de sua humana, invencível condição. Agora sou anúncio, ora vulgar ora bizarro, em língua nacional ou em qualquer língua (qualquer, principalmente). E nisto me comprazo, tiro glória de minha anulação. Não sou – vê lá – anúncio contratado. Eu é que mimosamente pago Para anunciar, para vender em bares festas praias pérgulas piscinas, e bem à vista exibo esta etiqueta global no corpo que desiste de ser veste e sandália de uma essência tão viva, independente, que moda ou suborno algum a compromete. Onde terei jogado fora meu gosto e capacidade de escolher, minhas idiossincrasias tão pessoais, tão minhas que no rosto se espelhavam, e cada gesto, cada olhar, cada vinco da roupa resumia uma estética? Hoje sou costurado, sou tecido, sou gravado de forma universal, saio da estampeira, não de casa, da vitrine me tiram, recolocam, objeto pulsante mas objeto que se oferece como signos de outros objetos estáticos, tarifados. Por me ostentar assim, tão orgulhoso de ser não eu, mas artigo industrial, peço que meu nome retifiquem. Já não me convém a título de homem, meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente.
Escrito por acuma às 00h39
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O MOVIMENTO AÇÃO CULTURAL NA CONTRA MÃO REALIZOU NO DIA 08/03 NA PRAÇA DA CRUZ GRANDE UM EVENTO EM COMEMORAÇÃO AO DIA INTERNACIONAL DA MULHER.
FAZ-SE NECESSÁRIO AGRADECER A PRESENÇA DE TODAS AS PESSOAS QUE LÁ ESTIVERAM, POIS MESMO COM MATERIAL FÍSICO PRECÁRIO O EVENTO FOI DE GRANDE IMPORTÂNCIA PARA A LUTA QUE O ACUMÃ QUER TRAZER , POR UMA CULTURA DE PAZ E DE LUTA CONTRA OS NOSSOS VERDADEIROS "INIMGOS".

CADA VEZ MAIS O ACUMÃ MOSTRA-SE COMO UM DOS PRINCIPAIS INSTRUMENTOS DE APOIO A PRODUÇÃO CULTURAL LOCAL E COMO UM MOVIMENTO ATUANTE E SEMPRE DISPOSTO A REPENSAR O USO DOS ESPAÇOS PÚBLICOS
Escrito por acuma às 00h14
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A Ação Cultural Na Contra Mão realizou no último dia 26/01 um evento sobre a história do Rock no espaço do CRAS no bairro da Serrinha . Contamos com a participação das bandas Back in Blues, Cuspida e Distorção, cada uma dessas representado os anos 60, 70 e 80 respectivamente. Mais uma vez a juventude do bairro da Serrinha mostrou sua força e seu interesse em ser um produtor cultural e não apenas um mero espectador do "espetáculo oficial.
Escrito por acuma às 00h14
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FORTALEZA, CIDADE TURÍSTICA?
É chegada mais uma alta estação, momento oportuno para pensarmos no tipo de turismo que vem sendo feito em nossa Cidade. Se tomarmos a expressão “Fortaleza, cidade turística” como ponto de partida são várias as questões suscitadas. Mas o que significa dizer que uma cidade é turística? Proponho apresentar resumidamente alguns resultados obtidos em minha pesquisa de mestrado em sociologia/UFC (Aeroporto de Fortaleza: usos e significados contemporâneos), defendida em setembro último sobre a produção recente de uma imagem de cidade turística associada à Fortaleza, tão difundida na mídia e nos corredores das universidades e patrocinada pelos gestores estaduais e municipais.
Em primeiro lugar, seria ingenuidade pensar que um lugar possa ser considerado naturalmente turístico. Esse atributo, na verdade, é uma construção cultural e política, isto é, envolve a criação de um sistema integrado de significados através do qual a realidade turística de um lugar é instituída, mantida e negociada. Todavia, essa construção imagético-discursiva envolve necessariamente seleções: alguns elementos são iluminados, enquanto outros permanecem na sombra, como propus ao contrapor os investimentos (materiais e simbólicos) realizados em torno do Aeroporto nos últimos anos e aqueles praticados nos bairros do entorno aeroportuário de Fortaleza (controle social sobre moradores). No caso de Fortaleza, a produção recente de uma imagem de “cidade turística” tem sido seletivamente associada a obras estratégicas apontadas pelos discursos dominantes como marcos da promoção turística da Cidade nos mercados consumidores.
Em segundo lugar, esses discursos não operam no vazio, já que necessitam de suporte físico para ancorar a oposição discursivamente anunciada entre o “antes” e o “depois”, mecanismo esse eficaz posto em prática pelos “governos das mudanças” desde 1986 no Ceará. Contudo, é somente a partir de 1995 (Plano de Desenvolvimento Sustentável), portanto, que a estratégia de marketing do Governo do Estado para apresentar o “Ceará turístico” e a produção imaginária de Fortaleza como “cidade global” junto aos principais países emissores de turistas se torna mais agressiva, buscando assim mudar a imagem tradicional de lugar associado à pobreza e à seca. É nesse contexto que a inauguração do novo Aeroporto de Fortaleza em 1998 assume importância, já que a oferta de serviços de qualidade internacional está entre os recursos acionados pelos gestores na produção da imagem contemporânea da cidade de Fortaleza.
Por fim, o que o discurso do turismo sustentável parece ocultar a respeito de Fortaleza é que a cidade vendida nos cartões postais e feiras de turismo não integra todos os citadinos e espaços numa mesma imagem sólida e unificada do lugar. Isso sugere que o turismo só pode se tornar uma atividade viável não apenas por meio da eficácia econômica, que submete tudo à lógica do mercado, mas requer antes de qualquer coisa a existência de uma racionalidade ético-discursiva, que funcione segundo a lógica do conflito democrático, capaz de tornar a cidade objeto de um amplo debate público, possibilitando dessa forma a interlocução de diferentes atores e interesses acerca do seu rumo.
Por Wellington Ricardo Nogueira Maciel. Mestre em Sociologia (UFC) e Professor Substituto da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Texto publicado no jornal O Povo em Janeiro de 2006.
Escrito por acuma às 20h20
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O MOVIMENTO AÇÃO CULTURAL NA CONTRA MÃO TEM O PRAZER DE INFORMAR SOBRE A AMPLIAÇÃO DE SEU INFORMATIVO "NA CONTRA MÃO".
UMA DAS PRINCIPAIS "ARMAS" DO MOVIMENTO NA LUTA CONTRA O "DARWINISMO CULTURAL" INSTALADO À ALGUM TEMPO EM NOSSA CIDADE, AGORA VÊEM EM NOVO FORMATO E COM MAIS ESPAÇO PARA AS REIVINDICAÇÕES DOS MORADORES DA SERRINHA.
CONHEÇA, QUESTIONE, DESCUBRA O NOVO "NA CONTRA MÃO"
ESSE É UM DOS TEXTOS PRESENTES NA NOVA EDIÇÃO DO JORNAL.
Eu, à tarde, no xópim...
Olho ao meu redor e angustiadamente procuro por algo que não seja falso, mas tudo é tão falso quanto as plantas falsas que falsamente crescem por ali. Folhas de plástico, paredes de plástico, teto de plástico, comida de plástico, pessoas de plástico... autômatos buscando o único prazer que lhes resta: consumir. Acreditam naquelas mensagens que tanto se vê na TV: “compre aqui e seja feliz”, “compre aqui e seja mais bonito”, “compre aqui e se torne mais querido, pois estando na moda todos invejarão você, adorarão você, beijarão os seus pés”... Cinicamente vendem pacotes de felicidade e amor! Tudo comodamente embalado e pronto para o consumo.
Enquanto penso em tudo isso um velho escarra na lixeira ao meu lado. Talvez esteja pondo para fora o excesso de amor que lhe fora vendido. Talvez ainda esse amor comprado e consumido estivesse com seu prazo de validade vencido. Fizera-lhe mal... Mal aliás que nos fazem todas essas coisas que ali se consome: roupas que não dão conforto, sapatos que machucam os pés e comidas que nos causam problemas de coração.
Eu, de minha parte, aqui nada consumo e por isso não estou na moda, por isso não sou um cara legal. Apenas observo belas meninas de pela macia (seriam de plástico também?) desfilando e conversando sobre seus problemas que não existem. Observo homens e mulheres passando apressados, fingindo que têm coisas importantes a fazer, grandes objetivos a alcançar. Enquanto isso a Floresta Amazônica desaparece, o buraco da camada de ozônio aumenta e estamos à beira de uma guerra nuclear... Compra-se calças que têm o valor de carros, enquanto ali mesmo, na porta do xópim, crianças mendigam restos de comida.
“Uma esmola tia”! Dizem elas olhando para essas meninas de pele macia, roupas caras e cabecinhas cheias de problemas. Crianças iguais a elas, mas que têm dinheiro para comprar no xópim. Mas tarde, essas crianças que não podem comprar no xópim, já crescidas e cansadas de nunca estarem na moda (ser pobre nunca está na moda...) roubarão e até mesmo matarão por uma calça de xópim, e aí as calças de xópim passarão a custar ainda mais caro, exatamente por serem tão desejadas ao ponto de matarem por elas. Aí o dono xópim poderá ganhar mais dinheiro e comprará mais plantas falsas e venderá mais comidas que não alimentam.
É... talvez o poeta estivesse mesmo certo, “a burguesia fede”, “mas tem dinheiro pra comprar perfume”. E eu ainda acrescento – e como se já não bastasse, pode também comprar calças de xópim!
Milton Ferreira.
Escrito por acuma às 20h19
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FOTO 1996 - A EXPLÍCITA INFLUÊNCIA PUNK
NOS MOVIMENTOS DE JUVENTUDE NA SERRINHA
Escrito por acuma às 20h12
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acuma@bol.com.br
Escrito por acuma às 17h10
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