FORTALEZA, CIDADE TURÍSTICA?
É chegada mais uma alta estação, momento oportuno para pensarmos no tipo de turismo que vem sendo feito em nossa Cidade. Se tomarmos a expressão “Fortaleza, cidade turística” como ponto de partida são várias as questões suscitadas. Mas o que significa dizer que uma cidade é turística? Proponho apresentar resumidamente alguns resultados obtidos em minha pesquisa de mestrado em sociologia/UFC (Aeroporto de Fortaleza: usos e significados contemporâneos), defendida em setembro último sobre a produção recente de uma imagem de cidade turística associada à Fortaleza, tão difundida na mídia e nos corredores das universidades e patrocinada pelos gestores estaduais e municipais.
Em primeiro lugar, seria ingenuidade pensar que um lugar possa ser considerado naturalmente turístico. Esse atributo, na verdade, é uma construção cultural e política, isto é, envolve a criação de um sistema integrado de significados através do qual a realidade turística de um lugar é instituída, mantida e negociada. Todavia, essa construção imagético-discursiva envolve necessariamente seleções: alguns elementos são iluminados, enquanto outros permanecem na sombra, como propus ao contrapor os investimentos (materiais e simbólicos) realizados em torno do Aeroporto nos últimos anos e aqueles praticados nos bairros do entorno aeroportuário de Fortaleza (controle social sobre moradores). No caso de Fortaleza, a produção recente de uma imagem de “cidade turística” tem sido seletivamente associada a obras estratégicas apontadas pelos discursos dominantes como marcos da promoção turística da Cidade nos mercados consumidores.
Em segundo lugar, esses discursos não operam no vazio, já que necessitam de suporte físico para ancorar a oposição discursivamente anunciada entre o “antes” e o “depois”, mecanismo esse eficaz posto em prática pelos “governos das mudanças” desde 1986 no Ceará. Contudo, é somente a partir de 1995 (Plano de Desenvolvimento Sustentável), portanto, que a estratégia de marketing do Governo do Estado para apresentar o “Ceará turístico” e a produção imaginária de Fortaleza como “cidade global” junto aos principais países emissores de turistas se torna mais agressiva, buscando assim mudar a imagem tradicional de lugar associado à pobreza e à seca. É nesse contexto que a inauguração do novo Aeroporto de Fortaleza em 1998 assume importância, já que a oferta de serviços de qualidade internacional está entre os recursos acionados pelos gestores na produção da imagem contemporânea da cidade de Fortaleza.
Por fim, o que o discurso do turismo sustentável parece ocultar a respeito de Fortaleza é que a cidade vendida nos cartões postais e feiras de turismo não integra todos os citadinos e espaços numa mesma imagem sólida e unificada do lugar. Isso sugere que o turismo só pode se tornar uma atividade viável não apenas por meio da eficácia econômica, que submete tudo à lógica do mercado, mas requer antes de qualquer coisa a existência de uma racionalidade ético-discursiva, que funcione segundo a lógica do conflito democrático, capaz de tornar a cidade objeto de um amplo debate público, possibilitando dessa forma a interlocução de diferentes atores e interesses acerca do seu rumo.
Por Wellington Ricardo Nogueira Maciel. Mestre em Sociologia (UFC) e Professor Substituto da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Texto publicado no jornal O Povo em Janeiro de 2006.
Escrito por acuma às 20h20
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O MOVIMENTO AÇÃO CULTURAL NA CONTRA MÃO TEM O PRAZER DE INFORMAR SOBRE A AMPLIAÇÃO DE SEU INFORMATIVO "NA CONTRA MÃO".
UMA DAS PRINCIPAIS "ARMAS" DO MOVIMENTO NA LUTA CONTRA O "DARWINISMO CULTURAL" INSTALADO À ALGUM TEMPO EM NOSSA CIDADE, AGORA VÊEM EM NOVO FORMATO E COM MAIS ESPAÇO PARA AS REIVINDICAÇÕES DOS MORADORES DA SERRINHA.
CONHEÇA, QUESTIONE, DESCUBRA O NOVO "NA CONTRA MÃO"
ESSE É UM DOS TEXTOS PRESENTES NA NOVA EDIÇÃO DO JORNAL.
Eu, à tarde, no xópim...
Olho ao meu redor e angustiadamente procuro por algo que não seja falso, mas tudo é tão falso quanto as plantas falsas que falsamente crescem por ali. Folhas de plástico, paredes de plástico, teto de plástico, comida de plástico, pessoas de plástico... autômatos buscando o único prazer que lhes resta: consumir. Acreditam naquelas mensagens que tanto se vê na TV: “compre aqui e seja feliz”, “compre aqui e seja mais bonito”, “compre aqui e se torne mais querido, pois estando na moda todos invejarão você, adorarão você, beijarão os seus pés”... Cinicamente vendem pacotes de felicidade e amor! Tudo comodamente embalado e pronto para o consumo.
Enquanto penso em tudo isso um velho escarra na lixeira ao meu lado. Talvez esteja pondo para fora o excesso de amor que lhe fora vendido. Talvez ainda esse amor comprado e consumido estivesse com seu prazo de validade vencido. Fizera-lhe mal... Mal aliás que nos fazem todas essas coisas que ali se consome: roupas que não dão conforto, sapatos que machucam os pés e comidas que nos causam problemas de coração.
Eu, de minha parte, aqui nada consumo e por isso não estou na moda, por isso não sou um cara legal. Apenas observo belas meninas de pela macia (seriam de plástico também?) desfilando e conversando sobre seus problemas que não existem. Observo homens e mulheres passando apressados, fingindo que têm coisas importantes a fazer, grandes objetivos a alcançar. Enquanto isso a Floresta Amazônica desaparece, o buraco da camada de ozônio aumenta e estamos à beira de uma guerra nuclear... Compra-se calças que têm o valor de carros, enquanto ali mesmo, na porta do xópim, crianças mendigam restos de comida.
“Uma esmola tia”! Dizem elas olhando para essas meninas de pele macia, roupas caras e cabecinhas cheias de problemas. Crianças iguais a elas, mas que têm dinheiro para comprar no xópim. Mas tarde, essas crianças que não podem comprar no xópim, já crescidas e cansadas de nunca estarem na moda (ser pobre nunca está na moda...) roubarão e até mesmo matarão por uma calça de xópim, e aí as calças de xópim passarão a custar ainda mais caro, exatamente por serem tão desejadas ao ponto de matarem por elas. Aí o dono xópim poderá ganhar mais dinheiro e comprará mais plantas falsas e venderá mais comidas que não alimentam.
É... talvez o poeta estivesse mesmo certo, “a burguesia fede”, “mas tem dinheiro pra comprar perfume”. E eu ainda acrescento – e como se já não bastasse, pode também comprar calças de xópim!
Milton Ferreira.
Escrito por acuma às 20h19
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FOTO 1996 - A EXPLÍCITA INFLUÊNCIA PUNK
NOS MOVIMENTOS DE JUVENTUDE NA SERRINHA
Escrito por acuma às 20h12
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acuma@bol.com.br
Escrito por acuma às 17h10
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