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Ação Cultural Na Contra Mão - ACUMÃ
 


DEVIDO HÁ ALGUNS PROBLEMAS O BLOG NÃO TEVE

ATUALIZAÇÕES NOS ÚLTIMOS MESES DE MAIO E COMEÇO DE JUNHO.

NOVOS ESPAÇOS ESTÃO SENDO CRIADOS, COMO UM SITE QUE

DISPONIBILIZARÁ A QUALQUER PESSOA INSERIR TEXTOS SEM

QUALQUER TIPO DE EXIGÊNCIA.

AGUARDEM...



Escrito por acuma às 21h17
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         1 ANO DE INFORMATIVO

 

Comemoramos no último mês de maio um ano de publicação do Informativo Na Contra Mão.

Queremos aqui agradecer a todos e a todas que nos acompanharam durante estes doze meses, em especial a juventude do bairro da Serrinha, que vem recebendo este trabalho de forma crítica e participativa. Graças à ampliação do Informativo em março deste ano, estamos podendo ainda mais dar conta, na medida do possível, dos acontecimentos socioculturais e políticos da nossa comunidade, que vem em meio a conquistas e desafios se mostrando um bairro em constante movimento. Não podemos deixar de parabenizar os diversos movimentos sociais da nossa comunidade que, ao longo dos anos, criaram uma variedade de Informativos locais e mesmo, muitos destes, tendo vida curta, nem por isso deixaram de contribuir para que tomássemos conhecimento de importantes momentos ocorridos na Serrinha. Desta forma continuaremos esta luta em torno de um veículo de informação em nosso bairro, estimulando espaços de debates e impulsionando a participação popular como forma de ação.

       Queremos ainda convidar a todos e a todas a participarem do espaço CONTRA E A FAVOR (um espaço de debate no informativo), que estará debatendo o papel das organizações comunitárias do bairro da Serrinha trazendo a seguinte pergunta: Qual a sua opinião sobre a atuação das associações comunitárias da nossa comunidade? Participe enviando sua opinião por e-mail ou entregando em nosso endereço residencial que encontra-se na última página do Informativo.

Os textos à seguir são alguns dos que constam na edição do mês de maio do jornal.

 

                                                       Ação cultural na contra mão.



Escrito por acuma às 21h05
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Mel e Fel

 

Ednaldo Evangelista da Cunha, vulgo Mel, de 22 anos, teve o desprazer de provar, no dia 28 de março, do amargo e mortífero fruto que é conseqüência para quem escolhe, empurrado pelas circunstâncias, o caminho contrário dos “bons costumes;’.

Mel não era bom moço, era até carrasco, porém, também vítima duma sociedade excludente alicerçada na produção de mercadorias e no lucro. Mel era mais um desses santos que nascem todos os dias nas periferias da cidade. “Santos” porque  passam, na infância, por martírios semelhantes aos que os beatificados passam antes de atingir tal status.

Por coincidência do destino Mel era evangelista no nome, foi morto no mês dedicado ao Santo Padroeiro do Ceará, símbolo da esperança do sertanejo, e o local escolhido pelo “destino” para tal desfecho também foi irônico: Canindé, a terra que adotou como seu o santo mais popular do mundo.

Todos os dias nascem Mels na periferia. São aparentemente puros e dóceis, choram como todas as criançinhas e sentem falta de suas mamães e se consolam com afagos e gestos de carinho, porém, quando crescem, algum desses Mels vão se tornando fel, vítimas de todas as mazelas sociais e aí então vão exigir seu espaço da forma mais inescrupulosa possível.

Com um coração amargo e repleto de insensibilidade vão fazer sofrer e destruir famílias inteiras indiscriminadamente.

Mel, que teve seus sonhos destruídos pela exclusão, também destruiu sonhos de pessoas que viram na instituição policial um meio para ganhar a vida se expondo assim a todos os riscos que a profissão oferece. Mel deixou pais e filhos a espera de alguém que nunca voltou. Também se confrontou com outros Mels que, dotados de um caráter tão deformado e alheio a valores, já amargavam como fel.

E então,a sociedade que planta fel colhe mel?

 

                                                                                   Roche dos Anjos



Escrito por acuma às 20h58
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BENTO XVI

O Papa Bento XVI visitou há alguns dias o maior país em quantidade de católicos do mundo, o Brasil. Tomara que não tenha vindo com a intenção de “purificar” nossos últimos índios como tentaram seus amigos de um passado distante. Desde sua posse em 19 de abril de 2005, Joseph Alois Ratzinger, que é o nome de batismo de Bento XVI, demonstra uma visão conservadora e por que não dizer preconceituosa em relação a outros setores da sociedade civil. Ratzinger foi e é um dos mais poderosos integrantes da Cúria Romana. Ele era um velho amigo de João Paulo II e compartilhava das posições ortodoxas do mesmo, como por exemplo o voto de silêncio que impôs  ao ex-frade Leonardo Boff, brasileiro, um dos expoentes da Teologia da Libertação, em 1985 devido às suas posições políticas marxistas. Estranha-me o principal líder da igreja cristã mais popular do mundo ter certas tendências mais compatíveis com alguns ditadores facistas do século XX. Não que ele seja o único Papa da história defensor dessa linha de pensamento, mas creio que isso possa ser explicado pela adesão do mesmo em 1943, quando tinha dezesseis anos, ao Exército Nazista pouco depois de suas participações em reuniões da Juventude Hitlerista. O conclave  (reunião de bispos que definem quem será o novo Papa) que o nomeou como novo pontífice foi um dos mais rápidos da história, tendo apenas quatro votações e duração de apenas 22 horas. Sua eleição foi como falam alguns uma “barbada”, pois não podemos esquecer que ele é alemão e que seu país de origem é o que mais doa dinheiro para os cofres do “abençoado” Vaticano. Outro fator é que esse mesmo país está perdendo de forma muito rápida seus católicos. Últimas pesquisas contam que apenas um terço da população alemã se diz católica, isso quer dizer que o vaticano anda perdendo dinheiro,  quero dizer fiéis, com essa diminuição gradual de católicos. Um dos últimos documentos redigidos por Bento XVI ratifica normas rígidas e conservadoras dirigidas aos católicos de todo o mundo, tais como: a proibição do uso de métodos contraceptivos artificiais, a firme negação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, contrariedade ao aborto, rejeição ao uso de células tronco em pesquisas cintíficas e defende a necessidade da moralidade sexual. Em setembro de 2006 em visita a uma universidade na Alemanha, Bento XVI disse: Mostrai-me o que Maomé trouxe de novo, e ali encontrarás somente coisas cruéis e desumanas, como a ordem para espalhar a fé pela espada, que pregou. Líderes muçulmanos de todo o mundo cobraram desculpas e ameaçaram chamar seus embaixadores do Vaticano, advertindo que as palavras do Papa reforçam perigosamente uma visão falsa e deturpada do Islã. Para muitos muçulmanos, a guerra santa - Jihad - é uma luta espiritual e não um apelo à violência, onde denunciam sua perversão por extremistas, que usam a Jihad para justificar o assassinato e o terrorismo. Alguns bonecos do Papa foram queimados pelo mundo, mais ou menos como acontece com Judas na época da Páscoa (será que não é ele?). Numa visita feita à Turquia no final do ano de 2006, Bento XVI viu-se em “maus lençóis”. Em 2004, o ainda cardeal Ratzinger afirmou que a Turquia (que tem como religião predominante à mulçumana) sempre representou outro continente, no sentido religioso, por isso não fazia sentido a idéia de sua integração à União Européia, pois poderia abalar a “pureza” cristã da mesma. Nesta visita Bento XVI realizou uma das menores missas da história papal, onde, mais ou menos trezentas testemunhas assistiram a celebração ecumênica realizada sobre protestos de vários grupos contrários a estada  dele naquele local. A CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) está vendendo uma medalhinha padronizada pelo Vaticano com a imagem de Vossa Santidade, para “celebrar” a visita que ele fará ao nosso país no mês de maio. Se você comprar, por favor, me avise, pois quero saber o que tem do outro lado da moeda nessas visitas do Papa. Além de outros questionamentos que precisam ser feitos sobre a legitimidade das leis que a igreja de São Pedro tenta impor aos fiéis que a seguem, proponho uma breve reflexão sobre as atitudes e idéias dos seus líderes supremos, os Papas. Não quero aqui julgar o direito que as pessoas têm de crerem no que anseiam, nem tão pouco, alienar a teoria da não existência de um ser supremo, apenas espero, que esse texto provoque questionamentos e dúvidas a respeito das idéias pontifícias.   

                                                                                                                     Carlos Eduardo



Escrito por acuma às 20h55
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Nossos Clássicos            

 

 Não existe esse negócio de ficar em cima do muro. Ou tu torces pelo The Cats ou pelo Muvuca. Os desavisados que estão bebendo no Bar do Esquerdinha correm o risco de levar uma bolada se não ficarem atentos. Os desavisados que vão dar uma olhadinha no jogo estão sujeitos a receber um saco de areia na cabeça de ambas as torcidas, se ficarem no meio delas. A melhor coisa a se fazer é procurar um dos poucos lugares protegidos e acompanhar com atenção ou tensão um dos mais belos momentos produzidos pelos moradores do bairro da Serrinha: The Cats vs Muvuca no campo de areia da Praça da Cruz Grande. São doze artistas da bola em palco. Cinco na linha e um no gol para cada lado fazem do campo o espaço onde se derrama muito suor (ou sangue, se for o caso) ao som de muito batuque. Um batuque ritmado, traduzido nas irreverências do funk brasileiro e cantado por multidões de crianças e jovens torcedores, que pulam e dançam a cada bela jogada do seu time de coração. As provocações, palavrões ao time adversário aumentam o tom de rivalidade entre as jovens torcidas. E os artilheiros, quando fazem seus gols, misturam-se à massa e comemoram como um fiel torcedor de seu próprio time, afinal, diferente do futebol profissional, não há mercenários. As motivações para entrar em campo não se resumem aos milionários salários, mas ao prazer de fazer um golaço, de roubar a bola do atacante, de defender aquele chute lá no V, de ouvir o coro da torcida berrando o seu nome, de entrar em campo de mãos dadas, de expor o seu bandeirão, de fazer suas preces no meio do campo para todo mundo ouvir e saber que participar daquele clássico tem o significado de comemorar a vida através da bola. Os jogadores ou ídolos daquelas crianças também são trabalhadores, estudantes, pais de família, ou seja, moradores comuns que as inspiram tanto quanto Aleluia, Rinaldo ou Clodoaldo. Lembro que na minha infância o goleiro do Palmerinhas, da Serrinha, chamado Edgar, influenciava-me tanto quanto o Zetti, do São Paulo ou o Gato Fernandez do Palmeiras paulista. Aliás, Palmeirinhas e Fortalezinha da Rampa foram personagem de um dos clássicos mais empolgantes da Praça na década de 90.Temos também outros palcos esportivos, como o campo do Omega, campo do Serrinha, sem esquecer do finado Campo do Curitiba. Jogadores, torcidas e campos demonstram o quanto nós criamos as nossas experiências locais sem esperar pelos governos. A organização desses eventos esportivos, dos times e das torcidas é de fundamental importância para a existência da vida em comunidade (bem melhor do que ficar em casa assistindo novelas) e mostra um lado da periferia que não é veiculado pela televisão: o da criatividade, seja com a bola nos pés ou com a arte de resistir às desigualdades sócio-raciais a que nosso bairro está submetido.

Um salve para todos os jogadores e torcidas da Serrinha.

 

                                                                                             Bruno

 



Escrito por acuma às 20h48
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